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Mais do que trânsito: por que Chapada dos Guimarães precisa organizar como a cidade se move?
Ônibus de linha, motoristas de aplicativo, frotas da Prefeitura e fiscalização nas ruas parecem assuntos distintos, mas fazem parte da mesma engrenagem — O TRÂNSITO-. E como organizá-lo?
Por Cortez
Publicado em 04/09/2026 18:07 • Atualizado 04/09/2026 18:20
Cidades Inteligentes
Quem vive em Chapada dos Guimarães ou visita a cidade nos fins de semana percebe: a mobilidade urbana mudou rapidamente nos últimos anos. As ruas históricas do centro convivem diariamente com o aumento no fluxo de visitantes, o vai e vem dos ônibus circulares, o transporte de alunos da zona rural e uma presença cada vez maior de motoristas que realizam corridas pagas — seja por aplicativos de mobilidade ou acertos diretos.

Diante desse cenário, surge uma dúvida frequente entre os moradores: o que o transporte coletivo, os carros de aplicativo, os veículos oficiais do poder público e a fiscalização de trânsito têm em comum? A resposta é simples: todos eles disputam o mesmo espaço e precisam das mesmas regras. E o equilibrio dessa rede, tendo o município um trânsito organizado, com uma Secretaria Municipal de Transportes e Trânsito atuando em todas as frentes dessa empreitada é o tema desta matéria.


Uma peça fundamental já foi colocada no tabuleiro
Para que uma Prefeitura de um município possa estruturar uma Secretaria de Transportes, com todos os elementos que a compõe, não basta apenas "vontade política" ou abrir um prédio com uma placa na porta. Existe uma série de exigências legais e financeiras impostas pela legislação brasileira. A boa notícia para Chapada é que uma das etapas mais importantes e elementares já foi cumprida: a criação do Fundo Municipal de Transporte (veja materia do site Alô Chapada no link
Chapada dos Guimarães cria Fundo Municipal de Transportes com promessa de implementar transporte coletivo | Alochapada
Na prática, o Fundo funciona como uma "conta bancária carimbada". É nele que ficam guardados os recursos destinados exclusivamente para a mobilidade — como verbas de taxas de regulamentação, repasses específicos e arrecadações do setor. Com o Fundo criado, o município garante que o dinheiro arrecadado com o setor de transportes volte diretamente para a melhoria das vias, sinalização e segurança da população.


O desafio do transporte pago e a preocupação dos motoristas.
Um dos pontos mais sensíveis em Chapada dos Guimarães envolve os chamados "carros de corrida paga" — que incluem táxis, motoristas de lotação e condutores autônomos locais. Hoje, muitos motoristas trabalham na incerteza ou temem o avanço da fiscalização. A grande preocupação da categoria gira em torno do cumprimento das legislações federais e municipais de mobilidade. No âmbito federal, o transporte privado individual é regido pela Lei Federal nº 13.640/2018, que passou para os municípios a responsabilidade exclusiva de regrar e fiscalizar o serviço dentro de seus territórios. Paralelamente, os motoristas e prestadores de serviço acompanham com atenção as exigências da Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015), que estabelece diretrizes para a acessibilidade no transporte de passageiros, garantindo que pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida também possam se locomover com dignidade e autonomia. No âmbito municipal, a Câmara Municipal de Chapada dos Guimarães - MT aprovou e o prefeito sancionou a lei 2.103 de 04 de junho de 2025, tratando da regulamentação da prestação de serviçod e transporte remunerado.

Sem uma Secretaria de Transportes dedicada:
* O motorista fica sem saber a quem recorrer para se cadastrar, regulamentar seu veículo e trabalhar dentro da legalidade sem medo de apreensões;
* O passageiro (morador ou turista) corre o risco de utilizar serviços sem checagem de antecedentes criminais do condutor ou sem seguro contra acidentes;
* O município perde a oportunidade de organizar os pontos de parada e arrecadar tributos que poderiam ser revertidos em melhorias viárias.


Os quatro pilares de uma única Secretaria.
Se inaugurada, o que de fato faria uma Secretaria Municipal de Transportes e Trânsito em Chapada dos Guimarães? Ela reuniria, em um só lugar, quatro grandes frentes:
1) Transporte Coletivo e Escolar: Organização de rotas, horários e pontos de ônibus urbanos e rurais, garantindo que o morador do bairro afastado ou da comunidade rural consiga chegar ao centro.
2) Regulação de Táxis, Vans e Aplicativos: Fiscalização do transporte remunerado individual, ajustando as exigências da Lei de Inclusão à realidade local e dando segurança jurídica para quem trabalha no setor.
3) Gestão da Frota Municipal: Controle dos veículos das próprias secretarias da Prefeitura (como ambulâncias, tratores e carros da saúde), otimizando o uso de combustível, manutenção e trajetos.
4) Engenharia e Fiscalização de Trânsito: Instalação de placas, faixas de pedestres, lombadas, organização do tráfego nos fins de semana e atuação de agentes para orientar motoristas e pedestres.


O que falta para a ideia sair do papel?
Com o Fundo Municipal já existente, a consolidação de uma Secretaria exige agora a municipalização formal do trânsito junto ao Sistema Nacional de Trânsito - SNT (se ainda não o tiver), o concurso ou estruturação de agentes fiscalizadores e a aprovação da Lei de Criação da pasta na Câmara Municipal (caso ainda não tenha).

Organizar a mobilidade em uma cidade turística e de grande extensão territorial como Chapada dos Guimarães não é apenas uma questão de "passar multas", mas sim de garantir que o trabalhador chegue ao emprego, o turista consiga estacionar, o motorista de aplicativo rode legalizado e o pedestre atravesse a rua com segurança.

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